O fundo imobiliário REC Renda Imobiliária (RECT11) concentra seus esforços na recuperação da geração de renda após os impactos provocados pela pandemia sobre o mercado de escritórios. Segundo Moise Politi, sócio-diretor e head de Fundos Imobiliários da REC Gestão, a estratégia atual passa pela redução da vacância, pelo aumento gradual dos aluguéis e pela continuidade da gestão ativa do portfólio, tema abordado em entrevista ao Clube FII, disponível no Youtube. Clique aqui e assista agora.
Moise Politi, sócio-diretor e head dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) na REC Gestão
Segundo Politi, o RECT11 foi lançado em 2019 com uma estratégia voltada para imóveis corporativos de padrão elevado em mercados considerados alternativos, como Curitiba, Barra da Tijuca, Brasília, Santos e Alphaville. No fim daquele ano, o fundo possuía cerca de R$ 1 bilhão em ativos, estava totalmente locado e distribuía aproximadamente R$ 1,50 por cota.
O cenário mudou com a pandemia, quando o avanço do trabalho remoto elevou a vacância para cerca de 33%. De acordo com o gestor, a devolução de espaços pelos inquilinos aumentou os custos do fundo e exigiu um trabalho de vários anos para reposicionar os imóveis e recompor a ocupação.
"Foi uma saga durante 3, 4 anos para poder trazer a vacância de 33% para 8%, o que foi um desafio muito grande. E com relação ao endividamento, que era R$ 200 milhões, hoje ele é praticamente zero", afirmou.
Potencial de aumento da receita
Segundo o executivo, os períodos de carência concedidos em contratos de locação já foram encerrados. Com isso, o potencial de crescimento da distribuição de rendimentos passa a depender principalmente da ocupação das áreas ainda vagas e da evolução dos valores de aluguel.
Politi afirmou que, caso a vacância seja reduzida para zero, existe espaço para aumento da distribuição mensal de rendimentos, mas ponderou que esse processo depende das condições do mercado e não possui prazo definido para ocorrer. "É difícil prever, mas essa é a trajetória", ressaltou.
Alphaville segue como principal desafio
O gestor afirmou que Alphaville continua sendo a região mais desafiadora do portfólio. Segundo ele, o perfil predominante das empresas instaladas na região, especialmente dos setores de tecnologia e serviços, fez com que o mercado fosse mais impactado pela adoção do trabalho remoto. Apesar disso, Politi destacou que os imóveis do RECT11 apresentam vacância inferior à média de Alphaville.
"Muito do perfil dos inquilinos da região está em CRM, tecnologia, tudo que pode fazer o trabalho de home office. Então lá é um desafio. Entretanto, a vacância da região é 30%, 32%. Já o nosso portfólio está com uma vacância de 10%, 15%. Então é um bom portfólio", comparou. Na avaliação do gestor, a qualidade dos ativos pode favorecer a continuidade da ocupação ao longo dos próximos anos, embora a velocidade desse movimento dependa da recuperação da demanda por escritórios na região.