Mercado de escritórios pode elevar aluguéis até 2028
Menor oferta de imóveis em SP e RJ pode pressionar locações nos próximos anos, diz executivo
A redução da oferta de novos escritórios nos próximos anos em São Paulo e no Rio de Janeiro poderá pressionar os valores de locação e influenciar os rendimentos de fundos imobiliários (FIIs) com exposição ao segmento. A avaliação foi apresentada pelo CEO da SiiLA, Giancarlo Nicastro, durante entrevista ao Clube FII. "A gente já está vendo os valores de valores média de locação subindo para caramba, e vão subir mais", acredita. Clique aqui e assista na íntegra.
Na visão do executivo, projetos que deverão ser entregues entre 2027 e 2028 deixaram de ser iniciados durante o período da pandemia, reduzindo o volume de novos empreendimentos disponíveis no mercado. Para ele, a combinação entre menor oferta e demanda tende a elevar os preços das locações. "A gente vai entrar nos próximos dois anos, principalmente 2027, 2028, numa baixa de entrega de novo estoque muito importante. Quando você vai diminuindo a oferta futura, oferta existente com a demanda aquecida, sobe muito o preço. Então é isso que a gente tem que olhar para frente", destaca.
Nicastro afirmou que a média dos valores de locação de escritórios ainda apresenta desempenho inferior à inflação quando considerado todo o mercado. De acordo com ele, o valor médio de locação era de R$ 87 por metro quadrado em 2015 e, se corrigido pelo IPCA, corresponderia atualmente a R$ 143 por metro quadrado. No entanto, a média observada está em R$ 124 por metro quadrado, mas, nos imóveis de classe A+, segundo o executivo, os valores já superam a inflação.
O CEO da SiiLA afirmou que parte do retorno dos investimentos em imóveis corporativos ocorre por meio da valorização dos ativos. Como exemplo, citou a região da Chucri Zaidan, onde, segundo ele, os valores de locação permaneceram próximos de R$ 95 a R$ 110 por metro quadrado ao longo da última década, enquanto os imóveis registraram valorização.
Durante a entrevista, Nicastro também afirmou que fundos imobiliários têm realizado vendas de imóveis para capturar ganhos de capital e manter recursos em caixa em um ambiente de juros elevados, estratégia que, segundo ele, amplia a capacidade de aquisição de ativos. "Manter o dinheiro em caixa em um momento de taxa de juros alta é muito inteligente, porque você faz bons negócios, você compra de pessoas, de empresas que estão alavancadas", ressalta.
Ao comentar transações recentes de imóveis corporativos negociados acima do valor patrimonial, o executivo afirmou que esse movimento tem sido observado principalmente entre fundos com maior disponibilidade de recursos.
Na opinião de Nicastro, a elevação dos valores de locação deverá ocorrer de forma gradual e variar conforme a região, já que áreas com maior estoque de escritórios tendem a apresentar comportamento diferente de mercados com menor oferta. "Não é porque a Faria Lima subiu agora e que vai subir de novo. Ela está dando força para a região de Pinheiros, ela está dando força para Rebouças, ela está dando força para Vila Olímpia", pondera.