Como investidores private investem no mercado imobiliário
Executivos da Arton explicam como famílias de alta renda estruturam investimentos em real estate
O mercado imobiliário continua sendo uma das principais classes de ativos para investidores private, que combinam imóveis físicos, fundos imobiliários (FIIs), crédito imobiliário e operações estruturadas em suas carteiras. Em entrevista ao Clube FII, disponível no canal do Youtube, os sócios da boutique de investimentos Arton Advisors explicaram como famílias com patrimônio elevado estruturam investimentos em real estate, quais critérios utilizam para selecionar ativos e como os FIIs passaram a integrar estratégias de preservação patrimonial e diversificação.
Mercado imobiliário faz parte da estratégia patrimonial
Segundo Rafael Vieira, sócio-fundador e head de investimentos da Arton, o investimento em imóveis permanece presente nas carteiras de investidores de alta renda, mas a forma de acessar essa classe de ativos mudou ao longo dos últimos anos.
Além da aquisição direta de imóveis, essas famílias também investem por meio de fundos imobiliários, crédito imobiliário, clubes de investimento e operações estruturadas, permitindo acesso a diferentes segmentos do mercado.
Neste contexto, uma das dificuldades dos investidores está em encontrar serviços de assessoria e gestão de patrimônio direcionados para investimentos em imóveis. Por isso, a Arton destaca que possui DNA 100% imobiliário, com equipe experiente na análise de FIIs, ativos imobiliários e operações estruturadas.
Durante a entrevista, Vieira afirmou que a Arton administra mais de R$ 10 bilhões em patrimônio de cerca de 300 famílias e que aproximadamente R$ 2 bilhões estão alocados em fundos imobiliários e crédito imobiliário. Além disso, o BTG Pactual atua como financial sponsor da Arton, apoiando as atividades da empresa no mercado financeiro.
FIIs passaram a ocupar espaço nas carteiras private
Ao comentar a percepção de que investidores private não investem em fundos imobiliários, Vieira afirmou que esse entendimento não representa a realidade atual. Na sua visão, a evolução do mercado de capitais, o aumento da liquidez dos FIIs e as mudanças ocorridas na indústria ao longo dos últimos anos ampliaram o espaço desses ativos nas carteiras de investidores de maior patrimônio.
O executivo destacou ainda que o interesse pelo mercado imobiliário sempre esteve presente entre esse público, mas que os fundos imobiliários passaram a oferecer uma alternativa para acessar diferentes ativos com maior diversificação e liquidez.
“Acho estranho termos essa visão de que o cliente grande está longe do mercado de fundos imobiliários, porque, na grande maioria dos clientes private, ele faz real estate, seja na pessoa física, seja com amigos, seja com tickets em clubes em que juntam pessoas e participam da SPE”, aponta Vieira.
O interesse por real estate existe e é inerente ao cliente grande, completa Vieira. “Dentro do composto que temos na Arton, temos mais ou menos esses R$ 10 bilhões dentro da classe de clientes grandes. Temos quase R$ 2 bilhões alocados em fundos imobiliários e crédito imobiliário”, ressalta.
Wealth management foca em inteligência patrimonial
Com a tributação dos fundos exclusivos, que trouxe mudanças na alocação de recursos private, as atenções de voltam para outras estruturas. FIIs e imóveis podem fazer parte de uma estratégia de planejamento patrimonial que considere questões tributárias e sucessórias. Dessa forma, outro tema abordado foi a diferença entre uma assessoria tradicional e um serviço de wealth management.
De acordo com Manoel Fernandes, sócio-fundador da Arton, o wealth managemen não se restringe à carteira de investimentos, mas envolve uma análise do patrimônio como um todo, incluindo imóveis, empresas, estruturas societárias, planejamento sucessório, fiscal e internacional, pois a definição da estratégia de investimento parte da compreensão da situação patrimonial completa da família.
A liquidez é um ponto relevante, considerando estruturas locais e offshore. “Mas esse nível de confiança, esse grau de proximidade muda muito em relação ao mundo exclusivamente transacional, em que normalmente ele busca um produto ou algo muito específico. Então realmente tentamos entender o cliente como um todo”.
Skin in the game faz parte da política
A política de skin in the game adotada pela Arton foi outro ponto mencionado na conversa. Por meio dessa estratégia, os sócios investem junto com o investidor nas mesmas operações e fundos, o que reforça o comprometimento em cada decisão.
Rafael Vieira afirma que parte das teses aprovadas pelo comitê de investimentos também recebe recursos próprios dos sócios da empresa, nas mesmas condições oferecidas aos clientes, quando não há restrições regulatórias, modelo que busca alinhar interesses entre a gestora e os investidores.
“A partir do momento em que temos o dinheiro da empresa e dos sócios no negócio, no dia em que trazemos para a mesa o acompanhamento da grande maioria das teses, ele está na ponta da língua de cada sócio, porque todo mundo tem interesse”.
Parceria entre Clube FII e Arton
A entrevista também destacou o início da parceria entre o Clube FII e a Arton. Em abril de 2026, os sócios do Clube FII e da Arton Advisors anunciam a aquisição da Autem Investimentos, escritório vinculado ao BTG Pactual, com 48 mil clientes e cerca de R$ 3,5 bilhões sob gestão. Por meio da nova holding Apent, que integra as empresas do grupo, o negócio passará a contar com R$ 14 bilhões sob aconselhamento e terá a missão de oferecer aos clientes da Autem a tecnologia de todo o ecossistema do Clube FII, aliada à sofisticação e à curadoria da Arton.
Segundo Rodrigo Cardoso, sócio-fundador do Clube FII, a iniciativa busca oferecer aos investidores um serviço voltado para patrimônio imobiliário, planejamento sucessório e estratégias de alocação em diferentes ativos ligados ao mercado imobiliário. “É um serviço para quem quer preservação de patrimônio e planejamento sucessório. Isso tudo está muito ligado ao nosso mercado de REITs e fundos imobiliários. Estamos tratando aqui de um investimento de longo prazo e com grande solidez”.
Para Manoel Fernandes, sócio-fundador da Arton, a parceria está só começando. “Acreditamos demais que haja essa sinergia, essa complementariedade em tudo que o Clube FII criou ao longo desses 11 anos de conteúdo, de inteligência e, principalmente, de credibilidade, para que a gente possa realmente levar algo melhor para muita gente que acaba não acessando o que podemos oferecer”, conclui.