BINC11 vê oportunidades com movimentos de spreads no crédito
Gestores do Bradesco comentaram cenário do mercado de infraestrutura em entrevista
A abertura de spreads ao longo do ano no mercado de crédito de infraestrutura tem criado oportunidades de investimento em debêntures incentivadas, segundo especialistas. Em entrevista, Guntovitch e Gabriel Martins, ambos Gestores de Infraestrutura da Bradesco Asset, afirmaram que a movimentação recente foi influenciada principalmente por fluxos de resgates em fundos de crédito, enquanto setores como energia, saneamento e rodovias seguem concentrando emissões e investimentos. Veja os detalhes da análise e os impactos para o fundo Bradesco FI-Infra (BINC11). Você pode assistir ao vídeo completo no canal do Clube FII no Youtube.
Durante a conversa, os representantes da Bradesco Asset explicaram que o mercado de debêntures incentivadas passou por um período de abertura de spreads que, na visão deles, esteve mais relacionado à dinâmica de captação e resgates dos fundos do que a uma deterioração generalizada da qualidade de crédito dos emissores. "E aí fica o desafio, como você identificar uma oportunidade dada a marcação do ativo no que você julga ser a qualidade de crédito daquele ativo em si, daquele emissor", destaca Martins.
Segundo os gestores, quando fundos abertos enfrentam saídas de recursos, parte dos ativos pode ser vendida no mercado secundário para gerar liquidez. Esse movimento tende a pressionar preços e elevar spreads, criando oportunidades para investidores que conseguem adquirir títulos em níveis considerados mais atrativos.
A equipe destacou que acompanha diariamente o mercado secundário de crédito, tanto para avaliar oportunidades quanto para monitorar a marcação a mercado dos ativos presentes nas carteiras. Os preços utilizados como referência são divulgados pela Anbima e levam em consideração negociações realizadas entre participantes do mercado, além de informações fornecidas por gestoras e corretoras. Os especialistas afirmaram que, em diversos momentos, a negociação dos títulos pode refletir mais questões de fluxo do que alterações efetivas na capacidade de pagamento das empresas emissoras.
Mercado de infraestrutura
A entrevista também abordou o funcionamento do mercado de debêntures incentivadas, criado pela Lei 12.431 para financiar projetos de infraestrutura. De acordo com os gestores, os principais emissores estão concentrados em setores como energia elétrica, saneamento, rodovias, mineração e telecomunicações. Como os títulos contam com benefício fiscal para investidores, eles se tornaram uma alternativa de financiamento para empresas desses segmentos.
Os representantes da gestora explicaram que parte dos fundos utiliza operações de proteção para transformar exposições indexadas ao IPCA em estratégias ligadas ao CDI. Nesse modelo, o comportamento dos spreads de crédito passa a ter papel relevante no desempenho das carteiras.
"Então isso é uma vantagem muito grande, principalmente quando os juros estão muito alto, onde o imposto que você tem só pelo CDI já é muito alto. Boa parte dos nossos fundos, é importante mencionar que essas debêntures elas têm que ser indexadas ou IPCA ou pré-fixadas. Ela não pode ser uma debênture pós-fixada. Mas a gente consegue, através dos nossos fundos, comprar essas debêntures e através de derivativos, transformar o que era IPCA+, em CDI. Então, boa parte dos nossos fundos capitam em CDI+", destaca Guntovitch.
Crédito e recuperação judicial
Questionados sobre o aumento dos pedidos de recuperação judicial observados no país, os gestores afirmaram que os casos mais recentes foram pontuais e que não enxergam um problema estrutural disseminado entre os emissores de infraestrutura.
Segundo eles, empresas de setores regulados costumam operar sob contratos de longo prazo e mecanismos específicos de remuneração, o que pode contribuir para maior previsibilidade de receitas em comparação com segmentos mais expostos ao ciclo econômico. Foram citados exemplos ligados aos setores de energia e rodovias, nos quais contratos e regras regulatórias podem prever formas de recomposição econômica em determinadas situações.
BINC11 e a diversificação da carteira
Ao comparar o investimento direto em debêntures com a aplicação por meio de fundos, os especialistas destacaram a diversificação como um dos diferenciais da gestão profissional. Na visão dos gestores da Bradesco Asset, o acompanhamento dos emissores é realizado de forma contínua por equipes dedicadas à análise de crédito, com o objetivo de monitorar indicadores financeiros e identificar possíveis mudanças de risco ao longo do tempo.
Os gestores também ressaltaram que eventos de inadimplência podem comprometer o retorno acumulado de uma carteira, motivo pelo qual a seleção dos ativos e a diversificação entre emissores são fatores considerados relevantes na estratégia do fundo. Durante a entrevista, a equipe ainda afirmou que o BINC11 busca distribuir rendimentos provenientes dos resultados gerados pela carteira sem recorrer à devolução do patrimônio dos cotistas por meio das distribuições. A composição setorial do fundo também foi mencionada ao longo da conversa, com destaque para exposições relevantes em segmentos como rodovias e saneamento.
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