Em meio a tensão global, Copom corta Selic para 14,75% a.a.
Colegiado decidiu por redução na taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, após reunião de dois dias, iniciar a trajetória de cortes da taxa de juros básica da economia brasileira (Selic). O colegiado anunciou a redução de 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira (18), com a Selic passando de 15% ao ano para 14,75% ao ano.
Segundo o comunicado, a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante” e “também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.
Conflito global torna ambiente externo mais incerto
Em meio ao conflito no Oriente Médio e seus efeitos nos preços da commodities, que podem afetar a inflação a nível local, o colegiado decidiu pelo corte, mas reforçou a importância da serenidade e cautela na condução da política monetária.
Com o início da guerra no Irã, pairavam incertezas a respeito do corte, mesmo com a sinalização da autarquia na última reunião. O conflito foi mencionado pelo comunicado da autarquia, que evidenciou o acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, o que "exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.
Inflação mais moderada a nível local, mas acima da meta
A nível local, o Copom citou a trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica e arrefecimento da inflação, apesar da resiliência do mercado de trabalho. De acordo com o comunicado do Copom, a projeção inflacionária do colegiado para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, é de 3,3%, considerando o cenário de referência.
Último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central apontou um aumento recente nas expectativas inflacionárias ao final deste ano, com projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saindo de 3,91% para 4,10% no término de 2026. As estimativas de longo prazo seguem as mesmas, com 3,80% previstos para 2027 e 3,50% para 2028.
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA subiu 0,70% em fevereiro, levando o indicador em 12 meses a 3,81%. A meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com 1,5 ponto percentual de tolerância.
Próximas decisões e impactos em ativos
Os próximos passos ainda vão depender do desenrolar do conflito, na opinião de especialistas. “O colegiado destacou que ajustes no ritmo de queda dependerão de novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, destacou Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos.
O início do ciclo de cortes ocorre em ambiente de escalada no nível de incerteza global, que traz mais risco para os investimentos e compromete a visibilidade dos retornos futuros e a precificação dos ativos, detalha Jefferson Honório, sócio e gestor da Brio Investimentos.
“Os FIIs são instrumentos de investimento em ativos relativamente defensivos, ou seja, menos sensíveis à atividade que outros segmentos, mas expostos diretamente ao risco de juros. Nesse sentido, ainda o corte sendo menor que o esperado de poucas semanas atrás, uma redução de juros impacta positivamente tanto o potencial de retorno dos ativos, quanto a precificação desses ativos dos fundos”, aponta Honório, ao ponderar que o cenário atual requer cautela e seletividade, mas pode gerar boas oportunidades de entrada.
Com o início do ciclo de cortes da Selic, o mercado de Fundos Imobiliários volta ao centro das atenções. Ainda que o cenário exija cautela diante das incertezas globais e da trajetória da inflação, a mudança na política monetária tende a reabrir oportunidades relevantes para investidores mais bem preparados.
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