Ata do Copom reforça incerteza e evita sinalização futura
Próximos passos dependem da extensão dos impactos do conflito no Oriente Médio
Com um cenário marcado por forte incerteza relacionada ao conflito no Oriente Médio e à política monetária dos Estados Unidos, ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidiu por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, evitou trazer uma sinalização clara para as decisões futuras e destacou que os próximos passos dependem de novos dados e da extensão da guerra, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre a inflação.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, apontou o documento.
Convergência da inflação
O Comitê ressaltou ainda que as decisões são ponderadas para não reagir “integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”. Essas incertezas, além do conflito, incluem ainda impactos do El Niño.
Com expectativas de mercado desancoradas, a projeção do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante, é de 3,7%. Segundo o colegiado, o momento é de cautela, exigindo que os juros fiquem elevados por período prolongado. Ainda assim, o período de Selic em patamar contracionista já trouxe evidências da transmissão da política monetária e desaceleração da atividade econômica.
Política monetária e fiscal
Além disso, outro tema apontado com preocupação no documento foi a necessidade de alinhamento da política monetária com a política fiscal. Esta teria impacto de curto prazo, com estímulo à demanda agregada, mas também pode impactar a curva de juros futura.
“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, conclui.